quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O filme Ladrões de Bicicleta




Como o neo-realismo buscava retratar a realidade e a realidade do povo italiano na década de 40, com o fim da segunda guerra mundial, contava com um enorme desemprego, desesperança por parte dos cidadãos e a desigualdade social, era isso que passava nos cinemas italianos da época. E é nisso que consiste o neo-realismo italiano. Nesse contexto, Vittorio De Sica produziu o filme Ladrões de Bicicleta, em 1948, que acabou se tornando uma das maiores obras, não só do neo-realismo, mas da história do cinema e é visto até hoje como referência por críticos, estudantes e cinéfilos.
O filme conta a história de Antonio Ricci, interpretado por Lamberto Maggioriani, um cidadão italiano, desempregado há cerca de dois anos e já sem esperanças de encontrar trabalho. Antonio é casado e tem dois filhos, mas estava sempre penhorando objetos de sua casa para conseguir pagar as contas e sustentar a família. Um dia, já sem esperanças, ele recebe uma oferta de emprego para colar cartazes de filmes nas ruas. O único problema é que, para ser contratado, era obrigatório que ele tivesse uma bicicleta. E ele havia penhorado a sua. Desesperado para segurar o emprego que havia conseguido, Antônio diz que tem uma e é aceito no novo trabalho. Com a ajuda de sua mulher, o protagonista consegue penhorar os lençóis de sua cama e pegar de volta a sua bicicleta.
Depois de todo o esforço para conseguir a bicicleta de volta, ela é roubada no seu primeiro dia de trabalho. Quase todo o filme de De Sica gira em torno da busca de Antonio pelo ladrão, para conseguir seu emprego de volta. Assim, sem a ajuda da polícia e de seus chefes, ele sai, com seu filho mais velho, mas ainda criança, Bruno, para fazer justiça com as próprias mãos.
Antonio tenta, de todas as formas, encontrar o ladrão de sua bicicleta. Sem sucesso, ele passa, cada vez mais, a apelar para recursos que nem ele mesmo acreditava, chegando até mesmo a ir até uma vidente, para que ela o ajude a revelar a verdade. Mas ela em nada ajuda. O trabalhador, cada vez mais cansado e indignado vai perdendo a razão, passa a perseguir e acusar pessoas e bate em seu filho. No fim, já sem esperanças de justiça e novamente desempregado, Antonio tenta, em um ato de desespero, roubar a bicicleta de outra pessoa, mas é pego e acusado de ladrão por uma multidão. Ele só escapa de ser preso depois que o dono da bicicleta vê o rosto de Bruno, que assistia à cena chamando pelo pai, e sente pena, deixando Antonio ir embora.
Na última cena do filme não há falas. Podemos apenas ver Antonio e Bruno caminhando mudos de volta para casa e é possível ver, na expressão de Antônio a tristeza, o desespero e a indignação pela situação em que estava e da forma como acabou agindo.
De Sica consegue fazer um filme intenso, que retrata a injustiça da sociedade, o descaso das autoridades com os cidadãos e a impunidade daqueles que cometem delitos. Essas são características da Itália, na época, mas as críticas feitas pelo diretor podem servir também para enxergarmos a sociedade de hoje. Sendo assim, Ladrões de Bicicleta é um filme que fale a pena assistir, não só pelo que representa para o cinema mundial e pela sua beleza e sensibilidade, mas também porque, mesmo sendo um filme de 1948, em preto e branco, que se passa depois de uma guerra mundial, ele não deixa, por nem um segundo, de ser atual.

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